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Resumo do livro”Esaú e Jacó” de Machado de Assis

“Esaú e Jacó” é um romance filosófico e psicológico que narra a história de dois irmãos gêmeos, Pedro e Paulo, que nascem de uma mãe que deseja ardentemente ter filhos. A mãe, D. Natividade, faz uma promessa a Nossa Senhora de Aparecida, e seus filhos nascem. No entanto, os dois irmãos são fundamentalmente opostos em temperamento e aspirações. Pedro é conservador, tradicional e busca a estabilidade; Paulo é liberal, progressista e busca a mudança. O romance acompanha suas vidas paralelas, suas rivalidades, suas amizades e seus amores, enquanto Machado de Assis questiona a natureza do destino, da vontade humana e do significado da vida. O romance é uma exploração magistral da dualidade humana, da história política brasileira e da futilidade das ambições humanas.

Temas Centrais

  • A dualidade e o conflito: o romance explora a dualidade fundamental da existência humana — a tensão entre opostos, entre conservadorismo e progressismo, entre tradição e modernidade.
  • O destino e a vontade humana: o romance questiona se nossas vidas são determinadas pelo destino ou se temos livre arbítrio. A promessa de D. Natividade a Nossa Senhora sugere que o destino é predeterminado, mas as ações dos irmãos sugerem que temos escolha.
  • A futilidade das ambições: o romance sugere que nossas ambições são fundamentalmente fúteis. Pedro e Paulo lutam por poder e posição, mas no final, nada disso importa.
  • A história política brasileira: o romance é uma alegoria da história política brasileira, com Pedro representando o conservadorismo e Paulo representando o liberalismo.
  • A natureza da identidade: o romance questiona a natureza da identidade. Pedro e Paulo são gêmeos, mas são fundamentalmente diferentes. O que nos torna quem somos?
  • A morte e a mortalidade: o romance força os personagens a confrontar a morte e a questionar o significado de suas vidas.

Resumo dos personagens principais de “Esaú e Jacó”

  • Pedro: um dos gêmeos. Conservador, tradicional, busca a estabilidade e a ordem. Ele representa o conservadorismo político.
  • Paulo: o outro gêmeo. Liberal, progressista, busca a mudança e a inovação. Ele representa o liberalismo político.
  • D. Natividade: a mãe dos gêmeos. Uma mulher devota que faz uma promessa a Nossa Senhora de Aparecida para ter filhos. Ela ama seus filhos, mas é frequentemente manipulada por eles.
  • Batista: um amigo dos gêmeos. Um homem sábio e observador que oferece perspectiva sobre as ações dos irmãos.
  • Perpétua: a criada de D. Natividade. Uma mulher leal que oferece conselhos práticos.
  • Ayres: um diplomata que aparece no final do romance. Ele oferece uma perspectiva externa sobre os eventos.
  • Flora: uma jovem mulher que é amada por ambos os irmãos. Ela representa a inocência e a beleza.
  • Cláudio: um político que se torna amigo dos irmãos. Ele representa a corrupção política.

Resumo por partes de “Esaú e Jacó”

Parte 1: O nascimento e a promessa

O romance começa com D. Natividade, uma mulher que deseja ardentemente ter filhos. Ela faz uma promessa a Nossa Senhora de Aparecida — se ela tiver filhos, ela dedicará suas vidas ao serviço de Deus. Seus filhos nascem — dois gêmeos, Pedro e Paulo. No entanto, desde o nascimento, os dois irmãos são fundamentalmente opostos. Eles lutam no útero, e essa luta continua ao longo de suas vidas. D. Natividade ama seus filhos, mas é frequentemente atormentada pela rivalidade entre eles. Ela tenta criar uma harmonia entre eles, mas suas diferenças fundamentais tornam isso impossível.

Parte 2: A infância e a formação do caráter

Conforme Pedro e Paulo crescem, suas diferenças se tornam cada vez mais aparentes. Pedro é conservador, ordeiro e busca a estabilidade. Paulo é liberal, questionador e busca a mudança. Eles frequentam a escola juntos, mas têm amigos diferentes e interesses diferentes. Eles competem constantemente — em estudos, em esportes, em tudo. D. Natividade tenta manter a paz entre eles, mas suas diferenças fundamentais tornam isso cada vez mais difícil. Batista, um amigo da família, observa os irmãos com sabedoria e oferece conselhos, mas até mesmo ele reconhece que a rivalidade entre eles é fundamental e inevitável.

Parte 3: A vida adulta e as ambições políticas

Quando Pedro e Paulo se tornam adultos, suas ambições políticas se tornam cada vez mais aparentes. Pedro busca uma carreira no governo conservador, enquanto Paulo busca uma carreira no movimento liberal. Eles se tornam rivais políticos, representando as duas principais correntes políticas do Brasil do século XIX. Eles competem por poder, por posição, por influência. Eles fazem amigos e inimigos políticos. Eles se envolvem em intrigas políticas e em corrupção. Ao longo do caminho, eles também se envolvem em relacionamentos amorosos — ambos se apaixonam por Flora, uma jovem mulher bela e inocente. Flora é atormentada pela atenção de ambos os irmãos e finalmente escolhe um deles (ou nenhum deles, dependendo da interpretação).

Parte 4: A maturidade e a reflexão

Conforme Pedro e Paulo envelhecem, suas ambições políticas diminuem. Eles conquistaram poder e posição, mas descobrem que isso não traz a satisfação que esperavam. Eles começam a questionar o significado de suas vidas. Eles refletem sobre suas rivalidades, sobre suas ambições, sobre o tempo que desperdiçaram em conflito. D. Natividade envelhece e eventualmente morre. Sua morte força Pedro e Paulo a confrontar sua própria mortalidade. Batista continua a oferecer sabedoria e perspectiva, sugerindo que a vida é fundamentalmente fútil e que nossas ambições não importam.

Parte 5: O epílogo e a futilidade

O romance termina com um epílogo que sugere que nada mudou. Pedro e Paulo continuam suas rivalidades, continuam suas ambições políticas, continuam suas vidas como se nada tivesse acontecido. Ayres, um diplomata, oferece uma perspectiva externa, sugerindo que a história se repete, que nada é novo, que tudo é fútil. O romance termina com uma sensação de vazio e futilidade — apesar de todas as suas ambições, apesar de todas as suas lutas, Pedro e Paulo não alcançaram nada de significado duradouro.

Análise Adicional: A dualidade em “Esaú e Jacó”

A dualidade fundamental

“Esaú e Jacó” é fundamentalmente uma exploração da dualidade. Pedro e Paulo representam duas forças opostas — conservadorismo e liberalismo, tradição e modernidade, ordem e mudança. Essa dualidade não é apenas política — é existencial.

A Dualidade Psicológica:

Pedro e Paulo representam dois aspectos da psicologia humana — o desejo de estabilidade e o desejo de mudança. Ambos são necessários, mas ambos estão em conflito. Machado sugere que essa dualidade é fundamental à condição humana.

A Dualidade Histórica:

O romance é uma alegoria da história política brasileira. Pedro representa o conservadorismo que dominou o Brasil no século XIX, enquanto Paulo representa o liberalismo que buscava mudança. Machado sugere que essa dualidade política é fundamental à história brasileira.

A impossibilidade de reconciliação

Apesar de todas as tentativas de D. Natividade e de Batista, Pedro e Paulo nunca conseguem se reconciliar. Suas diferenças são fundamentais e irreconciliáveis. Machado sugere que a dualidade não pode ser resolvida — ela apenas continua, perpetuamente.

A futilidade da reconciliação:

Machado sugere que a tentativa de reconciliar opostos é fútil. Pedro e Paulo são opostos, e essa oposição é fundamental. Não há solução, não há harmonia possível. Apenas a morte oferece uma forma de escapar dessa dualidade.

A visão pessimista de Machado de Assis

“Esaú e Jacó” é uma exploração profunda da dualidade humana, da história política brasileira e da futilidade das ambições humanas. Machado de Assis oferece uma visão pessimista da vida, uma visão que sugere que nossas ambições são fúteis, que nossas lutas não importam, que a morte é a única certeza.

No entanto, essa visão pessimista é também profundamente verdadeira. Machado nos força a confrontar verdades incômodas sobre nossas próprias vidas: sobre nossas ambições, sobre nossas rivalidades, sobre o tempo que desperdiçamos em conflito. “Esaú e Jacó” é um romance que continua a ressoar com leitores mais de um século após sua publicação, porque ele toca em verdades fundamentais sobre a condição humana.

Conclusão de “Esaú e Jacó” de Machado de Assis

A conclusão do romance é uma afirmação de que a vida é fundamentalmente fútil. Pedro e Paulo lutam por poder e posição, mas no final, nada disso importa. Eles envelhecem, suas ambições diminuem, e eles são deixados com a sensação de que desperdiçaram suas vidas em conflito. O romance sugere que a história se repete, que nada é novo, que tudo é fútil. Machado de Assis oferece uma visão pessimista da vida humana — uma visão que é ao mesmo tempo profundamente verdadeira e profundamente perturbadora.

Recomendação de quem deveria ler este livro

“Esaú e Jacó” é essencial para qualquer leitor que aprecie literatura clássica brasileira, exploração filosófica profunda e análise psicológica complexa. É recomendado para leitores que gostam de narrativas que desafiam as convenções e que exploram temas sombrios e perturbadores. É um livro que continua sendo relevante, especialmente para leitores interessados em história política brasileira e em questões existenciais.

Quando foi publicado pela primeira vez? e por quem?

O livro foi publicado pela primeira vez em 1904, pela editora Garnier, no Rio de Janeiro. Foi um dos últimos romances publicados por Machado de Assis antes de sua morte em 1908.

Curiosidades sobre “Esaú e Jacó”

  • Obra-Prima de Machado: “Esaú e Jacó” é frequentemente considerada uma das obras-primas de Machado de Assis, ao lado de “Dom Casmurro” e “Quincas Borba”.
  • Alegoria política: o romance é uma alegoria da história política brasileira, com Pedro representando o conservadorismo e Paulo representando o liberalismo.
  • Referência bíblica: o título refere-se à história bíblica de Esaú e Jacó, dois irmãos gêmeos que lutam pelo direito de primogenitura. Machado usa essa referência para explorar temas de rivalidade e dualidade.
  • Filosofia pessimista: o romance reflete a filosofia pessimista de Machado de Assis, que sugere que a vida é fundamentalmente fútil e que nossas ambições não importam.
  • Estilo narrativo inovador: O romance usa um estilo narrativo inovador, com múltiplas perspectivas e reflexões filosóficas que interrompem a narrativa.
  • Influência duradoura: “Esaú e Jacó” influenciou inúmeros autores brasileiros e continua sendo estudado em universidades em todo o Brasil.
  • Adaptações: o romance foi adaptado para televisão e para o cinema, com versões que exploram diferentes aspectos da obra.

Perguntas Frequentes sobre “Esaú e Jacó”

1. Qual é o significado do título “Esaú e Jacó”?

O título refere-se à história bíblica de Esaú e Jacó, dois irmãos gêmeos que lutam pelo direito de primogenitura. Machado usa essa referência para explorar temas de rivalidade, dualidade e conflito. Pedro e Paulo são como Esaú e Jacó — irmãos que são fundamentalmente opostos e que lutam constantemente um contra o outro.

2. O que a promessa de D. Natividade significa?

A promessa de D. Natividade a Nossa Senhora de Aparecida é uma sugestão de que o destino é predeterminado. Ela promete dedicar seus filhos ao serviço de Deus se tiver filhos. No entanto, seus filhos não dedicam suas vidas ao serviço de Deus — eles dedicam suas vidas à política e à ambição. Isso sugere que o destino não é tão simples quanto parece, e que nossas ações podem desviar do caminho predeterminado.

3. Qual é a importância de Flora no romance?

Flora representa a inocência e a beleza. Ambos os irmãos se apaixonam por ela, mas ela é atormentada pela atenção de ambos. Sua escolha (ou falta de escolha) entre os irmãos representa a impossibilidade de reconciliação entre as duas forças opostas que Pedro e Paulo representam.

4. Qual é o significado do epílogo?

O epílogo sugere que nada mudou. Pedro e Paulo continuam suas rivalidades, continuam suas ambições políticas, continuam suas vidas como se nada tivesse acontecido. Isso sugere que a história se repete, que nada é novo, que tudo é fútil. O epílogo oferece uma perspectiva pessimista sobre a vida humana.

5. Qual é a mensagem final do romance?

A mensagem final é que a vida é fundamentalmente fútil. Pedro e Paulo lutam por poder e posição, mas no final, nada disso importa. Eles envelhecem, suas ambições diminuem, e eles são deixados com a sensação de que desperdiçaram suas vidas em conflito. O romance sugere que nossas ambições são fúteis e que a morte é a única certeza.


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