“Anna Karenina” é um romance épico que narra as vidas entrelaçadas de vários personagens na Rússia do século XIX, com foco principal em Anna Karenina, uma mulher aristocrática que abandona seu casamento respeitável para viver um amor apaixonado e proibido. A trama explora temas profundos como amor, morte, redenção, fé e o significado da vida. Através de múltiplas perspectivas e histórias paralelas, Tolstói cria um retrato complexo da sociedade russa, mostrando como as escolhas pessoais reverberam através das vidas de todos ao redor. O romance é tanto uma história de paixão quanto uma meditação filosófica sobre a existência humana.
Temas Centrais
- Amor e paixão vs. Dever e responsabilidade: o romance explora diferentes formas de amor. Anna escolhe a paixão ardente sobre o dever matrimonial, enquanto Levin busca um amor que combine paixão com responsabilidade e significado espiritual.
- A busca pelo significado da vida: Tolstói questiona constantemente o que torna a vida significativa. É a riqueza? O poder? A família? A fé? Cada personagem busca sua própria resposta.
- Sociedade, convenção e liberdade iIndividual: o romance critica a rigidez das convenções sociais que aprisionam os indivíduos, especialmente as mulheres, enquanto explora o custo da liberdade pessoal.
- Morte, redenção e transcendência: a morte permeia o romance, forçando os personagens a confrontar a mortalidade e buscar significado espiritual.
- A natureza da felicidade: o romance sugere que a felicidade verdadeira não vem da paixão descontrolada ou da riqueza, mas de uma vida vivida com propósito, conexão e fé.

Resumo dos personagens principais de “Anna Karenina”
- Anna Karenina: a protagonista. Uma mulher aristocrática, inteligente e apaixonante que abandona seu casamento para viver um amor proibido com o Conde Vronsky. Ela é bela, carismática, mas atormentada pela culpa e pela condenação social.
- Conde Alexei Vronsky: um oficial militar rico e charmoso que se apaixona por Anna. Ele é apaixonado, mas eventualmente se mostra incapaz de oferecer o tipo de amor e compromisso que Anna deseja.
- Konstantin Levin: um proprietário de terras que representa a busca de Tolstói por significado espiritual. Ele é introspectivo, questionador e eventualmente encontra paz através da fé e da vida simples.
- Kitty Shcherbatskaya: uma jovem mulher que inicialmente ama Levin, mas é seduzida por Vronsky. Eventualmente, ela se casa com Levin e encontra felicidade em uma vida simples e significativa.
- Alexei Karenin: o marido de Anna. Um homem frio, formal e dedicado ao dever. Ele é inicialmente apresentado como um vilão, mas é revelado como um homem profundamente ferido e, eventualmente, compassivo.
- Dolly Oblonsky: a irmã de Levin e esposa de Stiva. Ela é uma mulher prática e compassiva que lida com a infidelidade de seu marido e oferece perspectiva sobre o casamento e a família.
- Stiva Oblonsky: o irmão de Dolly. Um homem charmoso, mas irresponsável, que representa a superficialidade da sociedade aristocrática.
- Nikolai Levin: o irmão mais velho de Konstantin. Ele é um homem atormentado que busca significado através da política radical e eventualmente morre, forçando Levin a confrontar a mortalidade.
Resumo por partes de “Anna Karenina”
Parte 1: O encontro e a queda
A história começa com a vida aparentemente perfeita de Anna Karenina, uma mulher aristocrática casada com Alexei Karenin, um homem respeitável, mas emocionalmente distante. Ela viaja para Moscou para reconciliar seu irmão Stiva com sua esposa Dolly, após a infidelidade de Stiva. Em um baile em Moscou, Anna conhece o Conde Vronsky, um oficial militar jovem e charmoso. Há uma atração imediata e irresistível entre eles. Kitty Shcherbatskaya, uma jovem mulher que também está no baile, fica apaixonada por Vronsky, mas ele só tem olhos para Anna.
Parte 2: A paixão ardente
Anna retorna a São Petersburgo, mas a atração por Vronsky a consome. Ela o procura, e eles iniciam um caso apaixonado. A paixão entre eles é intensa e arrebatadora, mas também destrutiva. Anna abandona sua vida respeitável, sua posição social e, mais importante, seu filho Seryozha, para estar com Vronsky. A sociedade aristocrática a condena, e ela se torna uma pária social. Seu marido, Karenin, inicialmente tenta manter as aparências, mas eventualmente a confronta e oferece um ultimato: ela deve escolher entre seu filho e seu amante.
Parte 3: A ilusão desmorona
Anna escolhe Vronsky, acreditando que seu amor é suficiente para compensar tudo o que perdeu. Eles se mudam para o campo, tentando viver uma vida simples e feliz. No entanto, a realidade é muito diferente da fantasia. Vronsky, apesar de seu amor por Anna, não consegue oferecer o tipo de compromisso e significado que ela deseja. Ele é um homem de seu tempo, incapaz de desafiar completamente as convenções sociais. Anna, por sua vez, é atormentada pela culpa, pela perda de seu filho e pela condenação social. Ela se torna cada vez mais possessiva e ciosa de Vronsky.
Parte 4: A história paralela de Levin e Kitty
Enquanto Anna e Vronsky lutam com sua paixão, Levin e Kitty vivem uma história paralela. Levin, um proprietário de terras introspectivo, ama Kitty, mas ela o rejeita inicialmente, seduzida pelo charme de Vronsky. Quando Vronsky a abandona por Anna, Kitty fica de coração partido. Eventualmente, ela reconhece o amor genuíno de Levin e o aceita. Eles se casam e encontram felicidade em uma vida simples, dedicada à família, ao trabalho na terra e à fé. A história de Levin e Kitty contrasta com a de Anna e Vronsky, mostrando que a felicidade verdadeira vem não da paixão descontrolada, mas de uma vida vivida com propósito e significado.
Parte 5: O clímax e a tragédia
A situação de Anna se deteriora. Ela está grávida do filho de Vronsky, e Karenin, em um momento de compaixão, oferece perdão. No entanto, Anna não consegue aceitar a redenção. Ela é atormentada pela culpa, pela perda de seu filho Seryozha e pela sensação de que sua vida é vazia e sem significado. Vronsky, cansado da intensidade emocional de Anna, começa a se afastar. Anna, em um estado de desespero e loucura, se joga sob um trem na estação de ferrovias, terminando sua vida de forma trágica.
Parte 6: A redenção de Levin
Após a morte de Anna, a narrativa se concentra em Levin e sua jornada espiritual. Ele enfrenta a morte de seu irmão Nikolai e é forçado a confrontar questões existenciais sobre o significado da vida. Através de uma série de epifanias, Levin encontra paz e significado não em respostas intelectuais, mas em uma fé simples, na conexão com a natureza, na família e no trabalho. O romance termina com Levin em paz, tendo encontrado o significado que buscava, enquanto Anna permanece como um símbolo trágico das consequências de viver apenas para a paixão, sem considerar o significado mais profundo da existência.
10 reflexões sobre como Tolstói retrata a sociedade russa em “Anna Karenina”
Tolstói usa “Anna Karenina” como um espelho para refletir os problemas, contradições e hipocrisias da sociedade russa aristocrática. Através de múltiplas perspectivas e histórias paralelas, ele cria um retrato complexo e crítico de uma sociedade em transição, onde valores tradicionais colidem com aspirações modernas, e onde as convenções sociais aprisionam os indivíduos.
1. A hipocrisia das convenções sociais
O duplo padrão moral
Um dos aspectos mais críticos da retratação de Tolstói é a hipocrisia das convenções sociais, especialmente em relação ao comportamento sexual e matrimonial.
A realidade hipócrita:
- Homens: Stiva Oblonsky é infiel a sua esposa Dolly, mas permanece socialmente aceito. Sua infidelidade é tratada como uma fraqueza humana compreensível, quase inevitável.
- Mulheres: Anna comete o “mesmo pecado” – ela abandona seu marido por amor – mas é completamente condenada e excluída da sociedade. Ela se torna uma pária, enquanto Stiva continua sendo recebido nos melhores salões.
A crítica de Tolstói:
Tolstói expõe essa hipocrisia de forma brutal. A sociedade russa permite que os homens cometam adultério com relativa impunidade, mas condena as mulheres com severidade extrema. Isso não é apenas injusto — é uma manifestação de uma sociedade que valoriza a aparência sobre a realidade, a convenção sobre a autenticidade.
A prisão da reputação
Para as mulheres aristocráticas, a reputação é tudo. Uma vez perdida, não há redenção. Anna descobre isso da forma mais dolorosa possível. Sua exclusão social não é apenas um incômodo social — é uma sentença de morte emocional e psicológica.
Como Tolstói mostra isso:
- Anna é gradualmente excluída dos círculos sociais
- Mulheres que antes eram amigas a evitam
- Ela não pode aparecer em público sem causar escândalo
- Até mesmo sua família a rejeita
Tolstói sugere que essa rigidez social é não apenas injusta, mas destrutiva. A sociedade que condena Anna é tão responsável por sua morte quanto suas próprias escolhas.
2. A posição das mulheres: falta de agência e liberdade
A dependência econômica e social
Tolstói retrata a posição das mulheres aristocráticas russas como fundamentalmente sem poder. Elas não têm controle sobre suas vidas, suas propriedades ou seus destinos.
As realidades enfrentadas pelas mulheres:
- Casamento como necessidade: as mulheres devem se casar para ter segurança financeira e status social. Não há outras opções viáveis.
- Falta de propriedade: as mulheres não podem possuir propriedades ou controlar dinheiro de forma independente. Tudo pertence ao marido ou ao pai.
- Maternidade como identidade: a identidade de uma mulher é definida por sua capacidade de ser mãe e esposa. Qualquer desvio disso é visto como uma traição.
- Falta de voz política: as mulheres não têm voz nas decisões políticas ou sociais. Elas são espectadoras passivas.
O dilema de Anna
Anna é uma mulher inteligente, sensível e apaixonante, mas a sociedade não oferece nenhum espaço para ela expressar sua individualidade ou buscar sua própria felicidade. Suas únicas opções são:
- Permanecer em um casamento sem amor com Karenin, sacrificando sua felicidade pessoal
- Abandonar tudo – seu marido, seu filho, sua posição social – para viver com Vronsky
Não há meio termo. Não há possibilidade de uma vida independente, de uma carreira, de uma existência significativa fora do casamento. Tolstói mostra que essa falta de opções é trágica e injusta.
O contraste com Levin
Curiosamente, Tolstói oferece um contraste revelador através de Levin. Como homem, Levin tem liberdade para:
- Viajar e explorar o mundo
- Buscar significado espiritual e intelectual
- Trabalhar na terra e gerenciar propriedades
- Rejeitar o casamento se desejar
- Participar de discussões políticas e sociais
Kitty, por outro lado, tem apenas a opção de se casar bem. Sua vida é definida por quem ela escolhe como marido.
3. A classe social como determinante do destino
A rigidez da hierarquia social
Tolstói retrata a sociedade russa como profundamente estratificada, com uma hierarquia social rígida que determina praticamente todos os aspectos da vida de uma pessoa.
Os níveis da hierarquia:
- Aristocracia alta: pessoas como Anna, Vronsky e Karenin, que têm riqueza, poder e influência
- Aristocracia média: pessoas como Levin, que têm propriedades e status, mas menos poder político
- Classe média: comerciantes e profissionais
- Povo: camponeses e trabalhadores
A imobilidade social:
Uma pessoa nascida em um nível permanece naquele nível. Não há mobilidade social significativa. Um camponês não pode se tornar aristocrata. Uma mulher de classe média não pode se casar com um príncipe sem causar escândalo.
O impacto em Anna
A posição social de Anna é tanto sua proteção quanto sua prisão. Como aristocrata, ela tem privilégios que as mulheres de classes inferiores não têm. Mas quando ela viola as convenções de sua classe, a queda é vertiginosa. Ela não pode simplesmente “descer” para uma classe inferior — ela é expulsa de sua classe e não é aceita em nenhuma outra.
4. A transição e a modernidade: tradição vs. progresso
A Rússia em transição
“Anna Karenina” é ambientado em um período de transição na Rússia. A sociedade tradicional está sendo desafiada por ideias modernas, e há uma tensão constante entre o antigo e o novo.
Os sinais de mudança:
- Ideias políticas radicais: personagens como Nikolai Levin (o irmão de Konstantin) estão envolvidos em movimentos políticos radicais e discussões sobre reforma social.
- Emancipação das mulheres: há discussões sobre os direitos das mulheres e sua posição na sociedade, embora essas ideias sejam frequentemente ridicularizadas.
- Industrialização: a Rússia está começando a se industrializar, e há tensão entre os valores agrários tradicionais e os novos valores urbanos.
- Influência ocidental: há uma crescente influência das ideias ocidentais, que alguns veem como progressistas e outros como corruptoras.
A posição de Tolstói
Tolstói é ambíguo sobre essas mudanças. Ele critica a rigidez das convenções tradicionais, mas também questiona se as ideias modernas oferecem soluções reais. Levin, o personagem que mais se aproxima de Tolstói, busca um caminho entre a tradição e a modernidade — uma vida que honra os valores tradicionais (família, fé, trabalho na terra) enquanto questiona as convenções sociais injustas.
5. A corrupção da aristocracia: superficialidade e vazio
O vazio moral da sociedade aristocrática
Tolstói retrata a aristocracia russa como profundamente superficial e moralmente vazia. Os aristocratas estão preocupados com aparências, status e prazeres, mas carecem de significado espiritual ou moral genuíno.
As manifestações da superficialidade:
- Os salões sociais: os salões aristocráticos são lugares onde as pessoas fingem, onde as conversas são vazias e onde o que importa é quem está presente e o que estão usando.
- O casamento como transação: o casamento é visto como uma transação social e econômica, não como uma união de almas.
- A busca por prazeres: muitos aristocratas, como Stiva, buscam constantemente prazeres – comida, bebida, mulheres – sem nunca encontrar satisfação genuína.
- A falta de propósito: muitos aristocratas não têm nada significativo para fazer. Sua vida é uma série de diversões vazias.
O contraste com Levin
Levin representa a alternativa que Tolstói oferece. Ele rejeita a superficialidade da sociedade aristocrática e busca uma vida significativa através do trabalho, da família e da fé. Sua vida na propriedade, trabalhando a terra e conectado à natureza, é apresentada como muito mais significativa do que a vida vazia dos aristocratas urbanos.
6. A religião e a fé: a busca espiritual
O papel da religião na sociedade
Tolstói retrata a religião como um elemento central da sociedade russa, mas também como frequentemente hipócrita e superficial.
A hipocrisia religiosa:
- Emily Brent (personagem menor, mas significativa): representa a religiosidade superficial — pessoas que seguem as convenções religiosas, mas carecem de compaixão genuína.
- Karenin: inicialmente, ele se apega à religião como uma forma de lidar com sua dor, mas sua fé é frequentemente apresentada como rígida e sem compaixão.
- A sociedade em geral: a sociedade usa a religião para justificar suas convenções sociais, mas não vive de acordo com os princípios religiosos genuínos.
A jornada espiritual de Levin
Em contraste, Levin busca uma fé genuína e autêntica. Sua jornada espiritual é apresentada como a busca por significado real, não por conformidade social. No final do romance, Levin encontra paz através de uma fé simples e autêntica, não através de dogma religioso rígido.
7. A vida rural vs. a vida urbana
O contraste simbólico
Tolstói usa o contraste entre a vida rural e a vida urbana para criticar a sociedade aristocrática urbana.
A vida rural (representada por Levin):
- Conectada à natureza e aos ritmos naturais
- Significativa e propositiva
- Baseada no trabalho e na responsabilidade
- Autêntica e genuína
- Oferece paz e satisfação
A vida urbana (representada por Anna e Vronsky):
- Artificial e superficial
- Baseada em aparências e convenções
- Vazia de significado genuíno
- Frenética e insatisfatória
- Oferece apenas prazeres passageiros
Tolstói sugere que a vida urbana aristocrática é fundamentalmente vazia e que a verdadeira satisfação vem de uma conexão com a terra, com o trabalho e com a comunidade.
8. A posição dos camponeses: invisibilidade e exploração
A presença silenciosa dos camponeses
Embora “Anna Karenina” seja principalmente sobre a aristocracia, Tolstói não ignora completamente a existência dos camponeses. Eles estão presentes, mas frequentemente invisíveis, servindo como pano de fundo para as vidas dos aristocratas.
A exploração silenciosa:
- Os camponeses trabalham a terra que os aristocratas possuem
- Eles não têm voz ou agência
- Sua existência é tomada como garantida pelos aristocratas
- Levin é um dos poucos aristocratas que se preocupa genuinamente com o bem-estar dos camponeses
A crítica implícita:
Tolstói sugere que a riqueza e o conforto da aristocracia são construídos sobre o trabalho e a exploração dos camponeses. A sociedade aristocrática é fundamentalmente injusta e insustentável.
9. A infidelidade e o casamento: a instituição em crise
O casamento como instituição falha
Tolstói retrata o casamento aristocrático como uma instituição fundamentalmente falha, incapaz de acomodar as necessidades emocionais e espirituais dos indivíduos.
Os exemplos de casamentos falhos:
- Anna e Karenin: um casamento sem amor, baseado em conveniência social
- Stiva e Dolly: um casamento onde a infidelidade é tolerada, mas causa sofrimento constante
- Vronsky e Anna: não é nem um casamento legal, mas é igualmente destrutivo
A única exceção:
- Levin e Kitty: Um casamento baseado em amor genuíno, respeito mútuo e compromisso com uma vida significativa
Tolstói sugere que o casamento pode ser significativo, mas apenas se for baseado em amor genuíno e em um compromisso compartilhado com uma vida significativa.
10. A crítica social implícita: o sistema é o problema
A responsabilidade coletiva
Um dos aspectos mais profundos da retratação de Tolstói é sua sugestão de que a sociedade é tão responsável pela morte de Anna quanto suas próprias escolhas.
Como Tolstói mostra isso:
- A sociedade oferece a Anna apenas duas opções: permanecer em um casamento sem amor ou ser condenada
- A sociedade a exclui socialmente, tornando sua vida insuportável
- A sociedade a força a viver uma mentira, escondendo seu relacionamento com Vronsky
- A sociedade a priva de seu filho, a fonte de sua alegria
A mensagem:
Tolstói sugere que uma sociedade que oferece tão poucas opções e que condena tão severamente aqueles que buscam felicidade pessoal é uma sociedade doente. A morte de Anna é tanto um acusação da sociedade quanto um comentário sobre as escolhas pessoais.
A Rússia aristocrática como personagem
Em “Anna Karenina”, a sociedade russa aristocrática é tão importante quanto qualquer personagem individual. Tolstói a retrata como:
- Hipócrita: condenando as mulheres por comportamentos que tolera nos homens
- Injusta: oferecendo oportunidades e liberdade aos homens, mas não às mulheres
- Superficial: preocupada com aparências e convenções, mas vazia de significado genuíno
- Rígida: incapaz de acomodar a individualidade ou a busca pessoal por felicidade
- Destrutiva: destruindo aqueles que ousam desafiar suas convenções
- Em Transição: lutando entre valores tradicionais e ideias modernas, sem encontrar um caminho claro
A genialidade de Tolstói é que ele não oferece uma solução simples. Ele não sugere que a sociedade deva ser completamente destruída e reconstruída. Em vez disso, ele oferece Levin como um modelo alternativo — alguém que busca viver de forma autêntica dentro da sociedade, honrando os valores tradicionais enquanto questiona as convenções injustas.
“Anna Karenina” é, portanto, não apenas uma história de amor e tragédia, mas um retrato sociológico profundo de uma sociedade em crise, uma sociedade que precisa mudar, mas que não sabe como.
Conclusão de “Anna Karenina” de Lev Tolstói
A conclusão do romance é profundamente filosófica. Enquanto Anna escolhe a morte como escape de uma vida que se tornou insuportável, Levin escolhe a vida, encontrando significado através da fé, da família e da conexão com a natureza. O romance não oferece uma resposta simples sobre como viver, mas sugere que a verdadeira felicidade vem de uma vida vivida com propósito, responsabilidade e conexão espiritual, não de paixão descontrolada ou busca por prazer pessoal.
A morte de Anna é tanto uma tragédia pessoal quanto uma crítica social às convenções que a aprisionaram e a condenaram. Tolstói sugere que a sociedade é tão responsável pela morte de Anna quanto suas próprias escolhas.
Recomendação de quem deveria ler este livro
“Anna Karenina” é essencial para qualquer leitor que aprecie literatura profunda, personagens complexos e explorações filosóficas sobre a vida. É recomendado para leitores que já têm experiência com romances densos e que apreciam narrativas que desafiam e provocam reflexão. É um livro que muda perspectivas e permanece na mente muito tempo após o término da leitura.
Quando foi publicado pela primeira vez? e por quem?
O livro foi publicado pela primeira vez em 1877, em forma de série na revista russa “The Russian Messenger” (O Mensageiro Russo). A primeira edição em livro foi publicada em 1878 pela editora The Russian Messenger.
Curiosidades sobre “Anna Karenina”
- Obra-Prima de Tolstói: “Anna Karenina” é frequentemente considerada a obra-prima de Tolstói e um dos maiores romances já escritos. O próprio Tolstói considerava este seu melhor trabalho.
- Inspiração Pessoal: O romance foi inspirado em parte pela morte de uma mulher que Tolstói conhecia, que se suicidou sob um trem. Tolstói usou esse evento trágico como base para a morte de Anna.
- A Frase de Abertura Icônica: O romance começa com a famosa frase: “Todas as famílias felizes se assemelham; cada família infeliz é infeliz à sua maneira.” Esta frase se tornou uma das mais citadas da literatura.
- Comprimento e Complexidade: O romance é extremamente longo (mais de 800 páginas em muitas edições) e contém múltiplas tramas paralelas que se entrelaçam de forma complexa.
- Influência Duradoura: O livro influenciou inúmeros autores e continua sendo estudado em universidades em todo o mundo como um exemplo de excelência literária.
- Adaptações Múltiplas: “Anna Karenina” foi adaptada para cinema, televisão, teatro e até ópera, com versões famosas estreladas por Greta Garbo, Vivien Leigh e Keira Knightley.
5 Perguntas Frequentes sobre “Anna Karenina”
1. Por que Anna se mata no final?
Anna se mata porque se sente completamente desesperada e sem esperança. Ela perdeu seu filho, foi condenada pela sociedade, e seu relacionamento com Vronsky está se deteriorando. Ela vê a morte como a única escape de uma vida que se tornou insuportável. Seu suicídio é tanto um ato de desespero quanto uma crítica às convenções sociais que a aprisionaram.
2. Qual é a diferença entre o amor de Anna e Vronsky e o de Levin e Kitty?
O amor de Anna e Vronsky é apaixonado, mas baseado em fantasia e fuga da realidade. É um amor que não consegue sustentar a vida real. O amor de Levin e Kitty é mais profundo, baseado em compatibilidade, respeito mútuo e um compromisso com uma vida significativa. É um amor que cresce e se aprofunda com o tempo.
3. O que Tolstói está tentando dizer com a morte de Anna?
A morte de Anna é uma crítica às convenções sociais que condenam as mulheres por seus desejos pessoais. Tolstói sugere que a sociedade é tão responsável pela morte de Anna quanto suas próprias escolhas. Ele também questiona se a paixão descontrolada, sem significado mais profundo, pode levar à felicidade verdadeira.
4. Qual é o significado da jornada espiritual de Levin?
A jornada espiritual de Levin representa a busca de Tolstói por significado e fé. Levin encontra paz não através de respostas intelectuais, mas através de uma fé simples, conexão com a natureza e compromisso com a família. Tolstói sugere que a verdadeira felicidade vem de uma vida vivida com propósito e significado espiritual.
5. Por que o romance é tão longo e complexo?
O comprimento e a complexidade do romance refletem a complexidade da vida humana. Tolstói não oferece respostas simples ou finais claros. Em vez disso, ele explora múltiplas perspectivas e histórias paralelas para mostrar como as vidas das pessoas estão entrelaçadas e como as escolhas pessoais têm consequências amplas e duradouras.


