“O Morro dos Ventos Uivantes” é um romance gótico e apaixonado que narra a história de Heathcliff e Catherine, dois jovens que crescem juntos em um páramo isolado no norte da Inglaterra. Seu amor é selvagem, destrutivo e obsessivo, transcendendo as barreiras de classe social. Quando Catherine escolhe casar com o respeitável Edgar Linton em vez de Heathcliff, ele desaparece, jurando vingança. Anos depois, Heathcliff retorna rico e misterioso, determinado a destruir todos aqueles que o prejudicaram. O romance é uma exploração brutal da paixão, da vingança, da classe social e da natureza humana em sua forma mais selvagem e primitiva.
Temas centrais
- Amor obsessivo e destrutivo: o amor entre Heathcliff e Catherine é apresentado como uma força primitiva e destrutiva que consome ambos e prejudica todos ao seu redor. Não é um amor romântico idealizado, mas uma obsessão que beira a loucura.
- Vingança e ciclos de destruição: Heathcliff busca vingança contra aqueles que o prejudicaram, mas sua vingança se torna tão obsessiva que o consome. O romance mostra como a vingança perpetua ciclos de destruição que afetam gerações.
- Classe social e preconceito: a diferença de classe entre Heathcliff (um órfão de origem desconhecida) e Catherine (uma jovem aristocrata) é central para o conflito. O romance critica como a classe social determina o destino das pessoas.
- A natureza selvagem vs. a civilização: o páramo selvagem e indomável é contrastado com a civilização refinada da casa de Thrushcross Grange. O romance sugere que a natureza selvagem é mais autêntica, mas também mais destrutiva.
- Redenção e transformação: embora Heathcliff seja apresentado como um vilão, o romance questiona se ele é verdadeiramente mau ou se é uma vítima das circunstâncias e da crueldade da sociedade.

Resumo dos personagens principais de “O Morro dos Ventos Uivantes”
- Heathcliff: o protagonista e antagonista. Um órfão de origem desconhecida que é criado por Mr. Earnshaw. Ele é selvagem, apaixonado e obsessivo. Seu amor por Catherine é tão intenso que o consome, e sua vingança contra aqueles que o prejudicaram o define.
- Catherine Earnshaw: a heroína trágica. Uma jovem apaixonada e impulsiva que ama Heathcliff, mas escolhe casar com Edgar Linton por razões de classe e segurança. Sua morte prematura é o ponto de virada do romance.
- Edgar Linton: o marido de Catherine. Um homem refinado, gentil e respeitável, mas fraco e incapaz de competir com a paixão selvagem de Heathcliff. Ele representa a civilização e a respeitabilidade.
- Cathy (Catherine Linton): a filha de Catherine e Edgar. Ela herda a paixão de sua mãe, mas também sua fraqueza. Ela se torna vítima da vingança de Heathcliff.
- Hareton Earnshaw: o filho de Hindley. Ele é reduzido à pobreza e à ignorância pela vingança de Heathcliff, mas eventualmente é redimido através do amor de Cathy.
- Hindley Earnshaw: o irmão de Catherine. Ele é cruel e abusivo com Heathcliff, e sua crueldade é retribuída com vingança brutal.
- Nelly Dean: a narradora parcial do romance. Uma criada que cresceu com Catherine e Heathcliff e que oferece perspectiva sobre os eventos.
- Mr. Lockwood: o narrador principal. Um inquilino de Heathcliff que ouve a história de Nelly Dean e a transmite ao leitor.
Resumo por partes de “O Morro dos Ventos Uivantes”
Parte 1: A infância no Páramo
O romance começa com Mr. Lockwood, um inquilino de Heathcliff, visitando Wuthering Heights (O Morro dos Ventos Uivantes), a propriedade isolada de Heathcliff. Intrigado pelo comportamento misterioso de Heathcliff, Lockwood pede a Nelly Dean, a criada, que conte a história. Nelly relata que Heathcliff foi trazido para Wuthering Heights como uma criança órfã por Mr. Earnshaw. Ele cresce junto com Catherine Earnshaw, a filha de Mr. Earnshaw. Os dois desenvolvem um vínculo selvagem e apaixonado, correndo pelo páramo e rejeitando as convenções sociais. Hindley, o irmão de Catherine, é cruel com Heathcliff, ressentindo-se de sua presença.
Parte 2: A separação e a escolha
Quando Catherine e Heathcliff visitam Thrushcross Grange, a propriedade refinada dos Lintons, Catherine é seduzida pela civilização e pela respeitabilidade. Ela passa a frequentar a casa dos Lintons e se apaixona por Edgar Linton, o filho deles. Heathcliff, por outro lado, é rejeitado pelos Lintons por sua aparência selvagem e sua falta de educação. Catherine é forçada a escolher entre seu amor selvagem por Heathcliff e a segurança e respeitabilidade oferecidas por Edgar. Ela escolhe Edgar, acreditando que essa escolha é a mais sensata. Heathcliff, devastado e humilhado, desaparece na noite.
Parte 3: A vingança e o retorno
Anos depois, Heathcliff retorna misteriosamente rico e refinado. Ninguém sabe de onde veio seu dinheiro ou como ele se tornou um cavalheiro. Ele retorna com um único propósito: vingança. Ele seduz Isabella, a irmã de Edgar, e a força a se casar com ele, sabendo que isso prejudicará Edgar. Ele também compra a propriedade de Hindley, que se tornou um bêbado e um jogador. Heathcliff trata Hindley com a mesma crueldade que Hindley o tratou na infância. Catherine, agora casada com Edgar, fica devastada ao ver Heathcliff novamente. Seu amor por ele ressurge, mas é tarde demais.
Parte 4: A morte de catherine e a continuação da vingança
Catherine morre após dar à luz sua filha, Cathy. Sua morte é precipitada pela angústia emocional causada pelo retorno de Heathcliff e pela impossibilidade de seu amor. Heathcliff, consumido pela obsessão por Catherine, continua sua vingança contra a próxima geração. Ele trata Hareton, o filho de Hindley, com crueldade, reduzindo-o à pobreza e à ignorância. Ele também trata Cathy, a filha de Catherine, com frieza e manipulação, usando-a como ferramenta para prejudicar Edgar. Hindley morre, e Heathcliff assume o controle total de Wuthering Heights.
Parte 5: A redenção e a transformação
Eventualmente, Cathy e Hareton desenvolvem um amor genuíno um pelo outro. Cathy, que herdou a paixão de sua mãe, mas também sua capacidade de amar de forma mais saudável, ajuda Hareton a se educar e a se redimir. Heathcliff, observando o amor entre Cathy e Hareton, começa a mudar. Ele vê em Cathy a imagem de Catherine, e isso o afeta profundamente. Ele começa a questionar sua vida de vingança e a reconhecer o vazio de sua existência. Heathcliff morre, aparentemente visitado pelo fantasma de Catherine. Sua morte marca o fim do ciclo de vingança e destruição. Cathy e Hareton são livres para construir uma vida juntos, baseada no amor genuíno e na redenção.
A crítica social de Emily Brontë em “O Morro dos Ventos Uivantes”
“O Morro dos Ventos Uivantes” é muito mais do que uma história de amor e vingança, é uma crítica social devastadora das estruturas de classe, gênero e poder que definem a sociedade vitoriana. Emily Brontë usa a narrativa para expor as injustiças, hipocrisias e crueldades que sustentam a ordem social estabelecida.
1. A classe social como determinante do destino
A prisão da classe social
O aspecto mais central da crítica social de Brontë é sua exposição de como a classe social determina completamente o destino de uma pessoa, independentemente de seu caráter, inteligência ou valor como ser humano.
O caso de Heathcliff:
Heathcliff é um jovem inteligente, apaixonado e capaz. No entanto, sua origem desconhecida e sua falta de propriedade o condenam a ser tratado como inferior. Ele é:
- Rejeitado pela sociedade por sua aparência e origem
- Abusado por Hindley sem consequências legais
- Considerado inadequado para Catherine, apesar de seu amor genuíno
- Excluído dos círculos sociais respeitáveis
- Forçado a trabalhar como criado em sua própria casa
A crítica implícita:
Brontë sugere que a sociedade vitoriana é fundamentalmente injusta. Uma pessoa não é julgada por seu caráter ou suas qualidades, mas por sua posição de nascimento. Heathcliff é condenado não por nada que fez, mas simplesmente por ser pobre e de origem desconhecida.
A rigidez intransponível da hierarquia
A sociedade vitoriana é apresentada como uma hierarquia rígida e intransponível. Uma pessoa nascida em uma classe permanece naquela classe. Não há mobilidade social significativa, não há redenção através do mérito ou do trabalho.
As evidências no romance:
- Heathcliff, mesmo depois de se tornar rico, nunca é verdadeiramente aceito pela sociedade respeitável
- Hareton, apesar de ser um Earnshaw de nascimento, é reduzido à pobreza e à ignorância por Heathcliff
- Catherine é forçada a escolher entre seu amor e sua posição social, sugerindo que as duas são incompatíveis
A mensagem:
Brontë critica uma sociedade que valoriza a propriedade e o nascimento acima de tudo. Uma pessoa pode ser inteligente, apaixonada e digna, mas se não tiver a classe social “correta”, será rejeitada e abusada.
2. A opressão das mulheres e a falta de atitude
A prisão do gênero
Embora “O Morro dos Ventos Uivantes” seja frequentemente lido como uma história de amor, é também uma crítica brutal à posição das mulheres na sociedade vitoriana.
As opções limitadas de Catherine:
Catherine é uma jovem inteligente, apaixonada e independente. No entanto, a sociedade oferece a ela apenas duas opções:
- Casar com Heathcliff: isso significaria renunciar à respeitabilidade, à segurança financeira e à posição social. Ela seria condenada pela sociedade.
- Casar com Edgar: isso significaria renunciar ao seu amor genuíno e viver uma vida de conforto, mas de vazio emocional.
Não há terceira opção. Catherine não pode:
- Viver independentemente
- Ter uma carreira
- Manter seu amor e sua posição social
- Ser autêntica consigo mesma
A escolha impossível:
Catherine escolhe Edgar, acreditando que está fazendo a escolha “sensata”. Mas essa escolha a condena a uma vida de arrependimento, angústia e morte prematura. Brontë sugere que a sociedade força as mulheres a fazer escolhas impossíveis, e qualquer escolha que façam as prejudica.
A falta de controle sobre suas próprias vidas
As mulheres em “O Morro dos Ventos Uivantes” não têm controle sobre suas próprias vidas. Elas são:
- Propriedade dos homens: Catherine é propriedade de seu pai, depois de seu marido. Ela não tem direitos legais independentes.
- Definidas por seus relacionamentos: a identidade de Catherine é definida por seus relacionamentos com homens — seu pai, Heathcliff, Edgar.
- Vítimas de manipulação: Isabella é seduzida e forçada a se casar com Heathcliff. Cathy é manipulada por Heathcliff para prejudicar seu pai.
- Sem voz política ou social: as mulheres não têm voz nas decisões que afetam suas vidas.
O exemplo de Isabella:
Isabella é particularmente reveladora. Ela é seduzida por Heathcliff, que a usa como ferramenta de vingança contra Edgar. Ela é forçada a se casar com ele, abusada e eventualmente abandona seu filho para escapar. A sociedade a condena por abandonar seu filho, mas não condena Heathcliff por abusá-la. Brontë mostra a hipocrisia e a injustiça da sociedade em relação às mulheres.
A maternidade como prisão
Catherine morre ao dar à luz Cathy. Sua morte é apresentada como resultado direto da angústia emocional causada por sua situação impossível. Brontë sugere que a maternidade, longe de ser uma realização, é frequentemente uma prisão que prejudica as mulheres.
3. A hipocrisia das convenções sociais
A aparência vs. a realidade
Brontë critica a hipocrisia das convenções sociais vitorianas, que valorizam a aparência acima da realidade.
Os exemplos de hipocrisia:
- Edgar Linton: ele é apresentado como um cavalheiro respeitável e refinado. No entanto, ele é fraco, incapaz de proteger sua esposa e sua filha de Heathcliff. Sua respeitabilidade é apenas uma fachada.
- Hindley: ele é um homem respeitável que abusa de Heathcliff sem consequências legais. A sociedade o tolera porque ele é de classe alta.
- Heathcliff: quando ele retorna rico, é imediatamente aceito pela sociedade, apesar de seu caráter claramente vil. A riqueza o torna respeitável, independentemente de sua moralidade.
A mensagem:
Brontë sugere que a sociedade vitoriana é profundamente hipócrita. O que importa não é o caráter ou a moralidade, mas a aparência de respeitabilidade. Uma pessoa pode ser cruel, abusiva e imoral, mas se tiver riqueza e posição social, será aceita.
A moralidade seletiva
A sociedade aplica padrões morais de forma seletiva e injusta:
- Hindley abusa de Heathcliff: ninguém intervém. Ele é um cavalheiro, então seu comportamento é tolerado.
- Heathcliff abusa de Hareton: novamente, ninguém intervém. Heathcliff é rico e poderoso.
- Catherine ama Heathcliff: ela é condenada por sua paixão e forçada a escolher entre seu amor e sua respeitabilidade.
- Isabella é abusada por Heathcliff: ela é condenada por abandonar seu filho, mas Heathcliff não é punido por seu abuso.
Brontë mostra que a moralidade da sociedade é seletiva e injusta, aplicada de forma diferente dependendo da classe social e do gênero.
4. A violência estrutural e a falta de justiça
A violência sem consequências
“O Morro dos Ventos Uivantes” é um romance notavelmente violento. No entanto, a violência não é punida — ela é tolerada e até mesmo facilitada pela estrutura social.
Os exemplos de violência impune:
- Hindley abusa de Heathcliff: Ele o espanca, o humilha e o trata como um escravo. Ninguém intervém.
- Heathcliff abusa de Hareton: Ele o reduz à pobreza e à ignorância como vingança contra Hindley. Ninguém o impede.
- Heathcliff abusa de Isabella: Ele a seduz, a força a se casar com ele e a trata com crueldade. Ela é forçada a fugir.
- Heathcliff manipula Cathy: Ele a usa como ferramenta para prejudicar seu pai.
A crítica implícita:
Brontë sugere que a sociedade vitoriana é fundamentalmente violenta e injusta. A violência é tolerada quando é cometida por aqueles com poder e posição social. Não há justiça real — apenas o poder do mais forte.
A falta de proteção legal
As vítimas em “O Morro dos Ventos Uivantes” não têm proteção legal. Elas não podem recorrer à lei porque:
- A lei protege a propriedade e o poder, não as pessoas
- As mulheres não têm direitos legais independentes
- Os pobres não têm proteção contra os ricos
- A justiça é administrada por aqueles com poder e posição social
5. A natureza selvagem vs. a civilização hipócrita
O páramo como espaço de autenticidade
Brontë contrasta o páramo selvagem e indomável com a civilização refinada de Thrushcross Grange. O páramo é apresentado como um espaço de autenticidade e liberdade, enquanto a civilização é apresentada como artificial e opressiva.
O Páramo:
- Selvagem e indomável
- Autêntico e genuíno
- Oferece liberdade e espaço para a expressão pessoal
- É onde Heathcliff e Catherine são verdadeiramente eles mesmos
Thrushcross Grange:
- Refinado e civilizado
- Artificial e hipócrita
- Oferece conforto, mas à custa da autenticidade
- É onde as convenções sociais aprisionam os indivíduos
A crítica implícita:
Brontë sugere que a “civilização” vitoriana é uma prisão que sufoca a autenticidade humana. A refinação e a respeitabilidade vêm ao custo da liberdade pessoal e da autenticidade. O páramo selvagem, embora perigoso, é mais autêntico do que a civilização hipócrita.
A rejeição da civilização
Heathcliff e Catherine rejeitam a civilização de Thrushcross Grange. Eles preferem correr pelo páramo, livres das convenções sociais. No entanto, a sociedade os força a conformar-se. Catherine é seduzida pela civilização e pela respeitabilidade, e essa escolha a destrói.
Brontë sugere que a sociedade vitoriana é tão poderosa que até mesmo aqueles que a rejeitam são eventualmente consumidos por ela.
6. A crítica ao capitalismo e à propriedade
A propriedade como poder
Em “O Morro dos Ventos Uivantes”, a propriedade é a fonte de todo o poder. Aqueles que possuem propriedades têm poder sobre aqueles que não possuem.
Os exemplos:
- Mr. Earnshaw possui Wuthering Heights: ele tem poder sobre todos que vivem lá, incluindo Heathcliff.
- Hindley herda Wuthering Heights: ele usa sua propriedade para abusar de Heathcliff.
- Heathcliff compra Wuthering Heights: ele usa sua propriedade para exercer poder sobre Hareton e Cathy.
A crítica implícita:
Brontë sugere que a sociedade capitalista é fundamentalmente injusta. O poder é concentrado nas mãos daqueles que possuem propriedades. Aqueles sem propriedades são explorados e abusados.
A riqueza como redenção social
Curiosamente, quando Heathcliff retorna rico, ele é imediatamente aceito pela sociedade. Sua riqueza o redime socialmente, apesar de seu caráter claramente vil.
A mensagem:
Brontë sugere que a sociedade vitoriana valoriza a riqueza acima de tudo. Uma pessoa pode ser cruel, abusiva e imoral, mas se tiver riqueza, será aceita. A riqueza é a verdadeira moeda da sociedade vitoriana.
7. A crítica à religião e à moralidade cristã
A religião como ferramenta de controle social
Embora “O Morro dos Ventos Uivantes” não seja explicitamente sobre religião, há uma crítica implícita à forma como a religião é usada para justificar e manter as estruturas sociais injustas.
Os exemplos:
- A respeitabilidade de Edgar é associada à sua educação refinada e à sua conformidade com as normas sociais cristãs
- Catherine é condenada por sua paixão, que é vista como pecaminosa
- Isabella é condenada por abandonar seu filho, apesar de ter sido abusada
A crítica implícita:
Brontë sugere que a religião vitoriana é usada para controlar e oprimir, especialmente as mulheres. A moralidade cristã é aplicada de forma seletiva para justificar as estruturas de poder existentes.
A ausência de redenção genuína
Apesar de toda a violência e crueldade em “O Morro dos Ventos Uivantes”, não há redenção genuína através da religião. Heathcliff não encontra paz através da fé. Catherine não encontra consolo na religião. A redenção, quando vem, vem através do amor humano genuíno (entre Cathy e Hareton), não através da religião.
8. A crítica ao patriarcado e ao poder masculino
O poder absoluto dos homens
Em “O Morro dos Ventos Uivantes”, os homens têm poder absoluto sobre as mulheres. Eles podem:
- Controlar suas vidas e seus destinos
- Abusar delas sem consequências
- Forçá-las a se casar
- Separá-las de seus filhos
Os exemplos:
- Mr. Earnshaw controla a vida de Catherine
- Edgar Linton controla a vida de Catherine após o casamento
- Heathcliff controla a vida de Isabella e Cathy
A Crítica Implícita:
Brontë sugere que o patriarcado é uma estrutura de poder que permite aos homens explorar e abusar das mulheres sem consequências. As mulheres são vítimas de um sistema que as trata como propriedade.
A falta de voz das mulheres
As mulheres em “O Morro dos Ventos Uivantes” não têm voz. Elas não podem:
- Tomar decisões sobre suas próprias vidas
- Recusar casamento
- Deixar seus maridos sem perder tudo
- Ser ouvidas ou respeitadas
Catherine é a personagem mais vocal, mas até mesmo ela é eventualmente silenciada pela morte.
9. A crítica à educação e ao conhecimento como ferramenta de poder
A educação como privilégio de classe
Em “O Morro dos Ventos Uivantes”, a educação é um privilégio de classe. Aqueles de classe alta recebem educação refinada, enquanto aqueles de classe baixa são mantidos na ignorância.
Os exemplos:
- Edgar Linton é educado e refinado
- Heathcliff é mantido na ignorância por Hindley
- Hareton é deliberadamente mantido na ignorância por Heathcliff como forma de vingança
A crítica implícita:
Brontë sugere que a educação é usada como uma ferramenta de controle social. Aqueles que controlam a educação controlam o poder. Manter alguém na ignorância é uma forma de opressão.
A redenção através da educação
Curiosamente, a redenção de Hareton vem através da educação. Cathy o ensina a ler e a se educar, e isso o liberta da opressão de Heathcliff. Brontë sugere que a educação é uma ferramenta de libertação, não apenas de controle.
10. A crítica à sociedade como um todo: um sistema injusto
A sociedade como personagem antagonista
Talvez a crítica social mais profunda de Brontë seja sua sugestão de que a sociedade em si é o verdadeiro antagonista do romance. Não é Heathcliff que é o vilão — é a sociedade que o criou.
Como a sociedade cria Heathcliff:
- Rejeita-o por sua origem: Ele é um órfão de origem desconhecida, então é rejeitado
- Abusa dele: Hindley o trata com crueldade, e a sociedade permite isso
- Nega-lhe oportunidades: Ele não pode se educar ou avançar socialmente
- Separa-o de Catherine: A sociedade força Catherine a escolher entre seu amor e sua respeitabilidade
- O força à vingança: Sem outras opções, Heathcliff busca vingança
A mensagem:
Brontë sugere que Heathcliff não é inerentemente mau, ele é criado pela sociedade. Se a sociedade o tivesse tratado com justiça e compaixão, ele teria sido uma pessoa diferente. Sua crueldade é uma resposta à crueldade que sofreu.
A perpetuação do ciclo de injustiça
O romance mostra como a injustiça social perpetua ciclos de destruição. Heathcliff é vítima de injustiça, então busca vingança. Sua vingança prejudica Hareton e Cathy, que são inocentes. O ciclo continua até que Cathy e Hareton conseguem quebrá-lo através do amor e da redenção.
A crítica social radical de Emily Brontë
A crítica social em “O Morro dos Ventos Uivantes” é radical e abrangente. Brontë critica:
- A Classe Social: Como determina completamente o destino de uma pessoa
- O Gênero: Como as mulheres são oprimidas e privadas de agência
- A Hipocrisia Social: Como a sociedade valoriza a aparência acima da realidade
- A Violência Estrutural: Como a violência é tolerada quando cometida por aqueles com poder
- O Capitalismo: Como a propriedade é a fonte de todo o poder
- O Patriarcado: Como os homens têm poder absoluto sobre as mulheres
- A Educação: Como é usada como ferramenta de controle social
- A Religião: Como é usada para justificar estruturas injustas
O que torna a crítica de Brontë tão poderosa é que ela não oferece soluções fáceis. Ela não sugere que a sociedade deva ser completamente destruída. Em vez disso, ela mostra como indivíduos podem encontrar redenção e liberdade através do amor genuíno e da compaixão, mesmo dentro de um sistema injusto.
“O Morro dos Ventos Uivantes” é, portanto, não apenas uma história de amor e vingança, mas uma crítica social profunda e perturbadora de uma sociedade que é fundamentalmente injusta, hipócrita e destrutiva. É uma obra que continua sendo relevante hoje, pois muitas das injustiças que Brontë critica — a desigualdade de classe, a opressão das mulheres, a violência estrutural — ainda existem em nossas sociedades contemporâneas.
Conclusão de “O Morro dos Ventos Uivantes” de Emily Brontë
A conclusão do romance é ambígua e perturbadora. Heathcliff morre, mas não está claro se ele encontrou redenção ou se simplesmente sucumbiu ao vazio de sua vida. A morte de Heathcliff liberta Cathy e Hareton, permitindo que eles construam uma vida baseada no amor e na redenção. O romance sugere que a vingança é destrutiva e que a redenção é possível através do amor genuíno. No entanto, o romance também deixa em aberto a questão de se Heathcliff foi verdadeiramente mau ou se foi uma vítima das circunstâncias e da crueldade da sociedade.
Recomendação de quem deveria ler este livro
“O Morro dos Ventos Uivantes” é essencial para leitores que apreciam literatura gótica, romances intensos e explorações profundas da psicologia humana. É recomendado para leitores que não se assustam com temas sombrios, violência emocional e ambiguidade moral. É um livro que desafia e provoca, permanecendo na mente muito tempo após o término da leitura.
Quando foi publicado pela primeira vez? e por quem?
O livro foi publicado pela primeira vez em 19 de dezembro de 1847, sob o pseudônimo “Bell Ellis” (Emily Brontë usava este pseudônimo para ocultar sua identidade de mulher). A editora foi Thomas Cautley Newby, em Londres.
Curiosidades sobre “O Morro dos Ventos Uivantes”
- Único Romance de Emily Brontë: “O Morro dos Ventos Uivantes” é o único romance publicado por Emily Brontë. Ela morreu apenas um ano após sua publicação, aos 30 anos, de tuberculose.
- Recepção inicial negativa: o romance foi inicialmente criticado por sua brutalidade e por ser considerado inapropriado, especialmente para uma autora mulher. Muitos críticos o consideravam excessivamente violento e perturbador.
- Redescoberta e reabilitação: com o tempo, o romance foi redescoberto e reconhecido como uma obra-prima. Hoje é considerado um dos maiores romances da literatura inglesa.
- Influência duradoura: o romance influenciou inúmeros autores e continua sendo estudado em universidades em todo o mundo.
- Adaptações múltiplas: “O Morro dos Ventos Uivantes” foi adaptado para cinema, televisão, teatro, ópera e até mesmo para videogames.
- Ambientação autobiográfica: o páramo isolado onde o romance é ambientado foi inspirado pelos páramos de Yorkshire, onde Emily Brontë cresceu.
- Estrutura narrativa complexa: o romance usa uma estrutura narrativa em abismo, com Mr. Lockwood ouvindo Nelly Dean contar a história, criando uma camada adicional de complexidade e ambiguidade.
Perguntas Frequentes sobre “O Morro dos Ventos Uivantes”
1. Heathcliff é um vilão ou uma vítima?
Esta é uma das grandes questões do romance. Heathcliff é apresentado como um vilão cruel e vingativo, mas o romance também mostra que ele é uma vítima das circunstâncias e da crueldade da sociedade. Ele foi rejeitado por causa de sua classe social e origem desconhecida. Sua crueldade é uma resposta à crueldade que sofreu. O romance sugere que a resposta é complexa — ele é tanto vilão quanto vítima.
2. O amor entre Heathcliff e Catherine é verdadeiro?
O amor entre Heathcliff e Catherine é intenso e obsessivo, mas é questionável se é “verdadeiro” no sentido romântico idealizado. É mais uma obsessão primitiva e destrutiva do que um amor saudável. O romance sugere que esse tipo de amor é belo, mas também perigoso e destrutivo.
3. Por que Catherine escolhe Edgar em vez de Heathcliff?
Catherine escolhe Edgar por razões práticas e sociais. Edgar oferece segurança, respeitabilidade e uma vida confortável. Heathcliff oferece paixão, mas também incerteza e rejeição social. Catherine acredita que está fazendo a escolha sensata, mas essa escolha a condena a uma vida de arrependimento e angústia.
4. Qual é o significado da morte de Heathcliff?
A morte de Heathcliff é ambígua. Ele morre aparentemente visitado pelo fantasma de Catherine, sugerindo que ele encontrou alguma forma de redenção ou paz. Sua morte marca o fim do ciclo de vingança e destruição, permitindo que a próxima geração (Cathy e Hareton) construa uma vida baseada no amor e na redenção.
5. O romance tem um final feliz?
O final é ambíguo. Heathcliff morre, o que pode ser visto como trágico ou como uma libertação. Cathy e Hareton encontram amor e redenção, o que é positivo. No entanto, o romance deixa em aberto a questão de se a redenção é verdadeira ou se é apenas uma ilusão. O final é esperançoso, mas também perturbador.


