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Resumo do livro – “Razão e Sensibilidade” de Jane Austen

“Razão e Sensibilidade” narra a história das irmãs Dashwood após a morte de seu pai. Despojadas de sua herança (que vai para seu meio-irmão), elas se veem forçadas a deixar sua casa e se mudar para uma pequena propriedade no Devonshire. A trama acompanha as vidas amorosas de Elinor e Marianne Dashwood, duas jovens que representam os extremos opostos da personalidade humana: Elinor é racional, controlada e prudente (Razão), enquanto Marianne é apaixonada, impulsiva e romântica (Sensibilidade). Ambas enfrentam decepções amorosas, mas aprendem que a verdadeira felicidade reside no equilíbrio entre a razão e a emoção.

Temas Centrais

  • Razão vs. Sensibilidade: o tema central é a tensão entre a lógica fria e a emoção ardente. Austen sugere que nenhuma das duas, isoladamente, é suficiente para uma vida plena. Elinor aprende a permitir-se sentir, enquanto Marianne aprende que a razão pode protegê-la do sofrimento desnecessário.
  • Classe Social e Segurança Financeira: como em “Orgulho e Preconceito”, o casamento é a principal via de segurança para as mulheres. As irmãs Dashwood enfrentam a realidade de que, sem dote significativo, suas opções são limitadas, e devem escolher entre o amor e a estabilidade.
  • Aparência vs. Realidade: personagens que parecem ser o que não são. Edward Ferrars parece frívolo, mas é honrado. Lucy Steele parece inocente, mas é calculista. Willoughby parece um herói romântico, mas é um vilão egoísta.
  • O Custo Emocional do Silêncio: Elinor carrega sozinha o peso de seus sentimentos por Edward, mantendo a compostura enquanto sofre internamente. O livro explora como a repressão emocional, embora necessária socialmente, pode ser prejudicial à saúde mental.

Resumo dos personagens principais de “Razão e Sensibilidade”

  • Elinor Dashwood: a protagonista. Inteligente, prudente e emocionalmente controlada. Ela é o pilar da família, sacrificando sua própria felicidade para manter a estabilidade. Seu grande defeito é reprimir demais seus sentimentos.
  • Marianne Dashwood: a irmã mais jovem de Elinor. Romântica, apaixonada e impulsiva. Ela acredita no amor verdadeiro acima de tudo e desdenha as considerações práticas. Seu grande defeito é ser demasiado confiante e imprudente.
  • Edward Ferrars: o jovem cavalheiro que Elinor ama. Ele é honrado, sensível e gentil, mas é fraco e facilmente dominado por sua mãe. Está preso a um noivado anterior com a calculista Lucy Steele.
  • John Willoughby: um jovem charmoso e apaixonante que conquista Marianne. Ele parece ser o herói romântico perfeito, mas é revelado como um vilão egoísta e sem escrúpulos.
  • Coronel Brandon: um homem de meia-idade, quieto e constante. Ele ama Marianne silenciosamente e é o verdadeiro herói da história, representando a bondade e a lealdade.
  • Lucy Steele: uma jovem aparentemente doce, mas na verdade calculista e ambiciosa. Ela está noiva de Edward e o manipula para manter-se presa a ele.
  • Sra. Ferrars: a mãe de Edward. Uma mulher esnobe, controladora e preconceituosa que desaprova qualquer relacionamento que não aumente sua riqueza e status.
  • Sra. Dashwood: a mãe das meninas. Uma mulher bem-intencionada, mas imprudente, que frequentemente deixa suas emoções guiarem suas ações.

Resumo por partes de “Razão e Sensibilidade”

Parte 1: A perda e o novo começo

Após a morte do Sr. Dashwood, sua propriedade é deixada para seu filho de um casamento anterior, deixando a viúva e suas três filhas em circunstâncias financeiras precárias. Elas se mudam para uma pequena casa em Barton Cottage, no Devonshire, onde enfrentam a realidade de sua nova vida modesta. Elinor assume o papel de provedora emocional da família, enquanto Marianne lamenta a perda de seu antigo lar e de seu estilo de vida.

Parte 2: Os primeiros encontros e atrações

Na nova vizinhança, as irmãs conhecem dois homens que as atraem. Elinor desenvolve um afeto silencioso e profundo por Edward Ferrars. Marianne, por sua vez, conhece o charmoso e apaixonante John Willoughby, que a conquista completamente. Marianne acredita que Willoughby é seu verdadeiro amor e que ele logo a pedirá em casamento. Elinor, mais cautelosa, observa com preocupação.

Parte 3: Revelações e decepções

Tudo muda quando Lucy Steele revela a Elinor que ela está noiva de Edward há quatro anos. Elinor fica devastada, mas mantém a compostura, guardando seu sofrimento para si mesma. Pouco depois, Willoughby desaparece repentinamente da região sem explicação, deixando Marianne em agonia. Quando ele reaparece em Londres, ele ignora Marianne completamente e logo anuncia seu noivado com uma mulher rica. Marianne fica de coração partido.

Parte 4: Verdades reveladas e transformações

Em Londres, Elinor descobre a verdade sobre Willoughby: ele é um homem sem escrúpulos que seduziu e abandonou a irmã do Coronel Brandon, deixando-a grávida e desonrada. Ele perseguiu Marianne apenas por diversão, sem intenção de casamento. Elinor também descobre que Edward foi libertado de seu noivado com Lucy quando ela o abandonou para perseguir o irmão mais rico de Edward, Robert. Marianne adoece gravemente de febre, e durante sua recuperação, ela tem uma epifania sobre a importância da razão e da prudência.

Parte 5: Reconciliação e novo equilíbrio

Após sua recuperação, Marianne reconhece o valor do Coronel Brandon, que sempre a amou silenciosamente. Ela aceita sua proposta de casamento, não com paixão ardente, mas com respeito, gratidão e a promessa de um amor que crescerá com o tempo. Edward, finalmente livre, propõe casamento a Elinor, e ela aceita. O livro termina com ambas as irmãs casadas, mas de formas diferentes: Marianne aprendeu a valorizar a razão, enquanto Elinor aprendeu a permitir-se sentir.

Conclusão de “Razão e Sensibilidade” de Jane Austen

A conclusão é uma afirmação de que a verdadeira sabedoria reside no equilíbrio. Nenhuma das irmãs obtém exatamente o que imaginava no início, mas ambas encontram uma felicidade mais profunda e duradoura do que aquela que buscavam. Elinor descobre que a razão sem emoção é uma prisão, e Marianne aprende que a sensibilidade sem razão é uma armadilha. O livro termina com a sugestão de que a maturidade emocional é o verdadeiro prêmio.

Reflexões sobre o que impacta o tema central do livro: classe social

O Impacto da classe social nas escolhas amorosas em “Razão e Sensibilidade”: A classe social não é apenas um pano de fundo em “Razão e Sensibilidade” — é o motor invisível que impulsiona toda a trama. Jane Austen usa as irmãs Dashwood para explorar como a posição social determina não apenas quem as mulheres podem amar, mas se elas têm o direito de amar por amor.

1. A queda social das irmãs Dashwood

O contexto inicial

Antes da morte do Sr. Dashwood, as irmãs viviam em Norland Park, uma propriedade considerável que as colocava na classe média-alta. Elas tinham conforto, segurança e, mais importante, opções. Seu pai era um homem de posses, e isso significava que elas poderiam esperar por casamentos respeitáveis com homens de status similar.

A catástrofe financeira

Quando o Sr. Dashwood morre, sua propriedade vai para seu filho de um casamento anterior — uma prática legal comum na época chamada entail (vinculação). A viúva e as três filhas são deixadas com apenas £500 por ano, uma quantia que as coloca na classe média-baixa. Essa queda é devastadora não apenas financeiramente, mas socialmente.

O Impacto Imediato:

  • Elas perdem acesso aos círculos sociais de elite
  • Seu dote (a quantia que trazem para o casamento) diminui drasticamente
  • Suas opções de casamento se reduzem significativamente
  • Elas se tornam “mulheres pobres”, o que as torna menos desejáveis no mercado matrimonial

2. Elinor: a razão forçada pela necessidade econômica

O dilema de Elinor e Edward

Elinor se apaixona por Edward Ferrars, o filho mais velho de uma família extremamente rica e influente. Ele é gentil, sensível e compartilha seus valores intelectuais. Parece ser um casamento perfeito, exceto pela classe social.

Os obstáculos de classe:

  1. A Mãe de Edward (Sra. Ferrars): ela é uma mulher esnobe que vê Elinor como uma caçadora de fortuna de classe inferior. A ideia de seu filho se casar com uma mulher sem dote significativo é inaceitável. Ela o ameaça com desonração e perda de herança.
  2. O Noivado com Lucy Steele: Edward está preso a um noivado anterior com Lucy Steele, uma mulher de classe social ainda mais baixa que Elinor. Esse noivado foi feito quando Edward era jovem e tolo, mas agora o prende. A ironia é que Lucy, apesar de sua classe inferior, é calculista e usa sua posição para tentar subir socialmente.
  3. A Impossibilidade Prática: mesmo que Edward quisesse casar com Elinor, ele não teria renda suficiente para sustentá-la adequadamente. Sua herança depende de sua mãe, que o deserdaria se desobedecesse. Elinor, sendo racional, compreende essa realidade e por isso reprime seus sentimentos.

A razão como defesa de classe

Elinor não apenas ama Edward, ela renuncia a esse amor porque a classe social torna impossível. Sua “razão” não é apenas uma característica de personalidade; é uma estratégia de sobrevivência imposta pela realidade econômica. Ela não pode se permitir o luxo de ser romântica porque não tem segurança financeira.

A frase reveladora: quando Lucy revela seu noivado com Edward, Elinor mantém a compostura, mas internamente sofre. Sua razão a força a aceitar que, independentemente de seus sentimentos, a classe social a torna indigna aos olhos da família Ferrars.

3. Marianne: a sensibilidade desafiando as barreiras de classe

A Ilusão Romântica:

Marianne acredita que o amor pode transcender as barreiras de classe. Ela pensa: “Se ele me ama, não importa que eu seja pobre. Ele me escolheu por minha alma, não por meu dote.”

Essa é uma posição romanticamente bela, mas economicamente ingênua.

A verdade cruel

Willoughby desaparece repentinamente e depois anuncia seu noivado com uma mulher rica. A razão é simples: ele não tem renda própria e precisa casar com dinheiro para manter seu estilo de vida. Marianne era uma diversão, não uma perspectiva de casamento.

O Impacto da classe social:

  • Willoughby nunca teve intenção de casar com Marianne porque ela é pobre demais
  • Sua falta de dote significativo a torna inaceitável como esposa, apesar de seus méritos pessoais
  • A classe social a torna descartável — um objeto de diversão, não de compromisso

Marianne aprende, da forma mais dolorosa possível, que a sensibilidade e o amor genuíno não são suficientes para superar as barreiras de classe.

4. O Coronel Brandon: a classe social como proteção

Um contraste revelador

O Coronel Brandon é um homem de meia-idade, quieto e de classe social respeitável. Ele ama Marianne silenciosamente, mas nunca a pressiona ou a persegue. Ele é paciente porque sabe que, eventualmente, a realidade econômica a forçará a reconhecer seu valor.

Por que o Coronel Brandon é a escolha “correta”:

  1. Segurança financeira: ele tem uma renda estável e propriedades. Ele pode oferecer a Marianne segurança e conforto.
  2. Classe social apropriada: ele é de classe social respeitável, o que significa que o casamento não causaria escândalo ou desaprovação social.
  3. Bondade genuína: ao contrário de Willoughby, ele ama Marianne por quem ela é, não por ganho pessoal.

A aceitação pragmática

Quando Marianne finalmente aceita o Coronel Brandon, ela não está escolhendo por paixão ardente, mas por reconhecimento da realidade. Ela compreende que:

  • Ela não pode se permitir o luxo de esperar por um grande amor romântico
  • A classe social a torna vulnerável a homens como Willoughby
  • A segurança financeira é tão importante quanto a compatibilidade emocional

5. Lucy Steele: a manipulação da classe social

Uma estratégia calculista

Lucy Steele é talvez o personagem mais revelador sobre como a classe social funciona em “Razão e Sensibilidade”. Ela é de classe social ainda mais baixa que as irmãs Dashwood, mas é extremamente calculista.

Sua estratégia:

  1. Noivado com Edward: ela se prende a Edward, um homem de classe social superior, para tentar subir socialmente.
  2. Abandono estratégico: quando descobre que Robert Ferrars (o irmão mais jovem) herdará a maior parte da fortuna, ela abandona Edward e o persegue. Ela muda de noivo para melhorar sua posição de classe.
  3. Sucesso final: Lucy consegue casar com Robert e se torna uma mulher de posses e status, tudo através da manipulação da classe social.

A mensagem: Lucy mostra que, para mulheres sem recursos, a classe social é um jogo que deve ser jogado estrategicamente. Ela não tem o luxo de amar por amor; ela deve casar para sobreviver e prosperar.

6. A Sra. Ferrars: o guardião das barreiras de classe

O poder da classe social estabelecida

A Sra. Ferrars é a personificação do poder da classe social estabelecida. Ela não é apenas uma mãe protetora — ela é uma guardiã das hierarquias sociais.

Seu papel:

  • Ela rejeita Elinor porque a vê como uma caçadora de fortuna de classe inferior
  • Ela ameaça deserdação para manter Edward sob controle
  • Ela usa sua riqueza e status como armas para impor sua vontade

A Sra. Ferrars representa a realidade brutal: a classe social estabelecida tem o poder de destruir as aspirações amorosas daqueles que estão abaixo dela.

7. O impacto geral: Razão vs. Sensibilidade redefinido

A verdadeira lição

Quando Austen contrasta “Razão” e “Sensibilidade”, ela não está apenas falando sobre personalidades, ela está falando sobre privilégio de classe.

Elinor é “racional” porque:

  • Ela não tem o luxo de ser romântica
  • Ela deve considerar a realidade econômica
  • Sua classe social a força a ser pragmática

Marianne é “sensível” porque:

  • Ela vem de uma família que, antes, tinha segurança financeira
  • Ela foi criada para acreditar que o amor era suficiente
  • Sua queda de classe a força a aprender a razão

A síntese final

No final do livro, ambas as irmãs encontram felicidade, mas de formas que refletem a realidade da classe social:

  • Elinor casa com Edward, mas apenas depois que ele é libertado de seu noivado anterior e recebe uma posição eclesiástica que lhe dá renda suficiente
  • Marianne casa com o Coronel Brandon, um homem de classe social respeitável que pode oferecer segurança

Nenhuma delas obtém exatamente o que desejava, mas ambas obtêm o que a classe social permitia que elas obtivessem.

Conclusão: a classe social como personagem invisível

Em “Razão e Sensibilidade”, a classe social é tão importante quanto qualquer personagem nomeado. Ela determina:

  • Quem pode amar quem
  • Quem pode ser amado
  • O custo emocional de amar alguém “inadequado” socialmente
  • A necessidade de sacrificar o amor pela segurança

Jane Austen não oferece uma solução romântica para esse problema, ela oferece uma verdade incômoda: em uma sociedade onde as mulheres dependem do casamento para sobreviver, a classe social é frequentemente mais importante que o amor.

A genialidade de Austen é que ela não condena essa realidade; ela a expõe com clareza e compaixão, mostrando como mulheres inteligentes e sensíveis como Elinor e Marianne devem navegar um mundo onde suas escolhas amorosas são, em última análise, determinadas por fatores muito além de seu controle.

Recomendação de quem deveria ler este livro

“Razão e Sensibilidade” é essencial para leitores que apreciam romances psicologicamente profundos, personagens femininas complexas e uma exploração nuançada das emoções humanas. É particularmente recomendado para quem já leu “Orgulho e Preconceito” e deseja explorar outras obras de Austen, bem como para qualquer pessoa interessada em compreender a dinâmica entre lógica e emoção em nossas vidas.

Quando foi publicado pela primeira vez? e por quem?

O livro foi publicado pela primeira vez em 30 de outubro de 1811, pela editora T. Egerton, Whitehall, em Londres. Como era comum na época, foi publicado anonimamente, creditado apenas como “By a Lady” (Por uma Senhora).

Curiosidades sobre “Razão e Sensibilidade”

  • Primeira obra publicada: embora “Razão e Sensibilidade” tenha sido publicado em 1811, Jane Austen o escreveu muito antes, originalmente intitulado “Elinor and Marianne” (Elinor e Marianne) em 1795.
  • Dedicação pessoal: o livro foi dedicado à irmã de Jane Austen, Cassandra, com quem ela tinha uma relação extremamente próxima. Muitos críticos acreditam que as dinâmicas entre Elinor e Marianne refletem a relação entre Jane e Cassandra.
  • Tema autobiográfico: Jane Austen nunca se casou, e alguns estudiosos sugerem que a exploração do casamento como necessidade econômica reflete suas próprias observações sobre a vida das mulheres de sua época.
  • Adaptações modernas: o livro inspirou inúmeras adaptações, incluindo a famosa minissérie de 1995 com Emma Thompson e Kate Winslet, que ganhou vários prêmios BAFTA.

Perguntas frequentes sobre “Razão e Sensibilidade”

1. Qual é a diferença entre Elinor e Marianne?

Elinor é racional, controlada e reprime suas emoções para manter a estabilidade familiar. Marianne é impulsiva, romântica e deixa suas emoções guiarem suas decisões. Ambas precisam aprender com a outra para encontrar equilíbrio.

2. Por que Willoughby é considerado um vilão?

Willoughby seduz Marianne apenas por diversão, sem intenção de casamento. Ele também seduziu e abandonou a irmã do Coronel Brandon, deixando-a grávida. Ele é egoísta, sem escrúpulos e escolhe dinheiro sobre honra.

3. Edward Ferrars realmente ama Elinor?

Sim. Edward ama Elinor profundamente, mas estava preso a um noivado anterior com Lucy Steele. Quando Lucy o abandona para perseguir seu irmão mais rico, Edward finalmente é livre para declarar seu amor a Elinor.

4. Marianne ama o Coronel Brandon?

Inicialmente, não. Marianne o vê como um homem velho e desinteressante. Mas após sua doença e epifania, ela reconhece sua bondade, lealdade e amor constante. Ela o aceita com respeito e gratidão, e o amor cresce com o tempo.

5. Qual é a mensagem principal do livro?

A verdadeira sabedoria reside no equilíbrio entre razão e emoção. Nem a lógica fria nem a paixão descontrolada levam à felicidade duradoura. A maturidade emocional exige que aprendamos a integrar ambas.

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