O Brasil está lendo mais, será? Duas pesquisas trazem ótimas notícias e nunca entraram tantas no meu feed, que sigo muita coisa sobre livros e literatura nas redes sociais. Dados da Câmara Brasileira do Livro revelam um cenário mais otimista sobre a leitura no país, mostrando um crescimento de 35% nos clubes de livros. E segundo outro levantamento, o Brasil ganhou 3 milhões de novos leitores em um único ano. E quem está puxando essa virada são os jovens de 18 a 34 anos, a geração do scroll infinito e do TikTok na tela.
Pois é: o digital não matou a leitura. Está ressuscitando ela.

O que dizem os números
A pesquisa Panorama do Consumo de Livros, realizada pela CBL em parceria com a Nielsen BookData, ouviu 16 mil pessoas em todo o Brasil e constatou que 18% da população adulta comprou ao menos um livro em 2025. São 2 pontos percentuais a mais que no ano anterior, o que representa cerca de 3 milhões de novos consumidores entrando no mercado editorial.
O maior crescimento veio exatamente de onde muitos não esperavam. As faixas etárias de 18 a 34 anos avançaram juntas 3,4 pontos percentuais. A geração que passa horas no feed está redescobrindo o livro. E não por acaso: 56% dos consumidores de livros fazem compras em geral por meio das redes sociais, e 22% descobrem lançamentos por criadores de conteúdo. O booktok, o bookstagram e as comunidades literárias online viraram porta de entrada para novos leitores.
Quem são os novos leitores brasileiros
Um dos dados mais bonitos da pesquisa é o protagonismo das mulheres pretas e pardas. Elas representam 30% do total de consumidores de livros e, quando vindas da classe C, formam hoje o maior grupo consumidor do país. Pessoas pretas e pardas, somadas, representam 49% dos consumidores de livros no Brasil.
O diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura, Jéferson Assumção, resumiu bem: “Novos sujeitos culturais, novas vozes estão se interessando também cada vez mais pelo livro e pela leitura. Isso porque nós temos visto o crescimento de comunidades leitoras.”
Clubes de leitura: o novo ponto de encontro
2 milhões de brasileiros trocaram o feed pela roda de conversa. Isso não é coincidência. Enquanto o celular vibra dezenas de vezes por dia para prender atenção, os clubes de leitura cresceram 35% em três anos no Brasil. Gente marcando encontro só para ler junto, sem tela na mesa.
O clube não compete com a tela sendo mais estimulante. Ele funciona porque é mais devagar. A mesma lógica da corrida, do jiu-jítsu, da cozinha: início, meio e fim, num mundo de scroll infinito.
O Brasil tem hoje mais de 410 eventos literários cadastrados no mapa oficial, entre bienais, feiras do livro e encontros de leitores. A cena literária brasileira está viva, pulsante e se reinventando.
O que está impulsionando esse crescimento
A presidente da CBL, Sevani Matos, atribui o avanço a um ecossistema completo: “Editoras, livrarias, autores, influenciadores, políticas públicas e iniciativas de incentivo à leitura”. E os dados do varejo mostram que a ficção, especialmente o gênero Young Adult, teve papel decisivo. Os livros de colorir também entraram como um fenômeno relevante, mas são os títulos voltados ao público jovem e conectado que sustentam a alta.
Os audiolivros, por sua vez, estão ganhando terreno: representam 24% da última compra de livros digitais, contra 19% em 2023. Uma nova fronteira para quem quer ler sem precisar parar.
A livraria como refúgio
Mesmo com o avanço do digital, a livraria mantém seu lugar especial. Para 53% dos consumidores, é um espaço para relaxar e explorar sem pressa. Para 46%, representa conexão com cultura e conhecimento. A livraria não morreu. Ela se transformou em experiência.
O que esperar
O Brasil ainda tem um longo caminho pela frente. Apenas 18% da população adulta comprou ao menos um livro no último ano. Isso significa que 82% ainda estão fora desse mercado. Mas o movimento é real, os números são consistentes e o perfil dos novos leitores aponta para um futuro mais diverso, mais jovem e mais conectado.
Se o feed não matou a leitura, talvez esteja ajudando a reinventar ela. E isso, para quem ama livros, é a melhor notícia do ano.
Fontes: Câmara Brasileira do Livro, Nielsen BookData, Ministério da Cultura, 2026


